Popular entre jovens, uso de vape pode afetar órgãos e acelerar envelhecimento, aponta pesquisa com animais

  • 14/06/2026
(Foto: Reprodução)
Estudo aponta danos do vape à saúde Mesmo proibidos no Brasil, os cigarros eletrônicos continuam sendo consumidos, especialmente entre jovens. Um estudo conduzido por estudantes de Medicina da Universidade Regional Integrada (URI), em Erechim, no Norte do RS, identificou alterações em diferentes órgãos após a exposição ao vapor do dispositivo. "O estudo mostra que, mesmo em pouco tempo e com dose considerada baixa, o cigarro eletrônico não é inofensivo", aponta a fisioterapeuta Luana Carla Zambon. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Os resultados, no entanto, são preliminares, obtidos em estudo com animais e ainda não publicados em revista científica nem revisados por pares. O trabalho integra projetos de conclusão de curso e também da pós-graduação em Atenção Integral à Saúde da instituição. A pesquisa Pesquisa sobre uso de cigarro eletrônico realizada com ratos de laboratório Reprodução/ RBS TV A pesquisa foi realizada com ratos de laboratório, que foram submetidos ao contato com o vapor duas vezes ao dia, durante 30 dias. A análise buscou compreender como a inalação da substância pode afetar o organismo. Ao todo, foram utilizados 30 animais jovens, sendo 15 no grupo de controle e 15 expostos ao vapor. O estudo foi previamente aprovado por uma comissão de ética para uso de animais, etapa obrigatória para a realização de experimentos desse tipo. Para a professora e coordenadora do estudo, Fernanda Dal’Maso Camera, os resultados chamaram atenção: "Encontramos várias alterações no grupo que foi exposto ao cigarro eletrônico. Alterações importantes que nos preocupam porque esse estudo foi feito de forma inédita, o primeiro realizado com animais jovens e já percebemos grandes alterações em diferentes órgãos", afirma Após o período de exposição, os animais passaram por eutanásia para análise detalhada de estruturas como coração, aorta, rins, próstata, bexiga e cérebro. Os pesquisadores realizaram exames histológicos, bioquímicos e avaliação da função cardíaca. Entre os achados, estão sinais de estresse oxidativo, presença de marcadores inflamatórios e alterações na estrutura do músculo cardíaco, além de redução da função do coração. Também foram observadas mudanças nos rins. "A gente pesquisou e viu que teve alterações histológicas e inflamatórias nos glomérolos renais, a gente conseguiu evidenciar várias alterações e isso compromete a função do rim", explica Neiva de Oliveira Prestes, mestre em Atenção Integral à Saúde. Na análise da aorta, houve redução do calibre do vaso sanguíneo. Segundo o acadêmico de Medicina Diandro Amaral, isso pode ter consequências futuras. "A vasoconstrição significa que o órgão reduziu seu calibre e isso vai ter impacto futuro na pressão arterial. Também pode ter envolvimento com desenvolvimento de doença aterosclerótica, infarto agudo do miocárdio", explica. Funcionamento de órgãos Cigarro eletrônico Reprodução/ RBS TV Os resultados reforçam a preocupação com os efeitos do cigarro eletrônico no organismo. O estudo indica que o uso pode prejudicar o funcionamento de órgãos e acelerar processos de envelhecimento. Outro ponto de atenção é a presença de nicotina nos dispositivos, muitas vezes em concentrações elevadas, o que aumenta o potencial de dependência. Dados do IBGE mostram que 29,6% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram o produto. "Eu fazia academia e, uma vez treinando, eu senti bastante falta de ar. Até mandando áudios mais longos eu percebia que faltava o ar e eu tinha que parar para respirar pra mandar um simples áudio de um minuto. Nessa época, eu percebi que tinha algo errado e decidi parar", conta Júlio César Alba Melle, de 22 anos. Júlio começou o uso na adolescência e manteve o hábito por quatro anos, até perceber impactos na saúde. A interrupção, no entanto, não foi simples. "Foi uma transição difícil porque uns dos métodos que usei para parar foi justamente o afastamento desse grupo de amigos. Tive que me afastar bastante do pessoal, deixar de ir em alguns locais que tinha gente fumando e eu sempre acabava fumando junto", revela. Resultados A equipe agora trabalha na publicação dos resultados e pretende dar continuidade às investigações. Segundo a coordenação, o artigo científico está em fase de redação e deve ser submetido a uma revista internacional, ainda não definida, possivelmente até agosto. "Esses dados são inéditos, é um estudo que não tem nenhum outro como feito, da forma que foi feito. E o próximo passo é continuar as pesquisas para que a gente consiga trabalhar com protocolos um pouco mais intensos", afirma a coordenadora Fernanda. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/06/14/popular-entre-jovens-uso-de-vape-pode-afetar-orgaos-e-acelerar-envelhecimento-aponta-pesquisa-com-animais.ghtml


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