Ex-secretária, veterinária e policial civil são indiciadas em investigação sobre eutanásias de animais sem motivo no RS

  • 26/06/2026
(Foto: Reprodução)
Paula Lopes, ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas foi presa por estelionato Ronaldo Bernardi/Agência RBS Quatro pessoas foram indiciadas na segunda fase da Operação Carrasco, investigação conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas que apura um esquema de maus-tratos a animais, estelionato por meio de campanhas de arrecadação nas redes sociais e outros crimes. O inquérito foi remetido à Justiça na quarta-feira (24). 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Um veterinário, que chegou a ser preso, não foi responsabilizado. Ex-secretária e dois veterinários são presos por suspeita de eutanásias sem motivo A principal investigada, a protetora de animais e ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas Paula Lopes, foi indiciada por maus-tratos, estelionato, associação criminosa e violação de sigilo funcional. Segundo a delegada Luciane Bertoletti, Paula "transformou a atividade de resgate de animais em uma fonte de lucro, arrecadando dinheiro com casos de animais extremamente feridos nas redes sociais". Também foram indiciados o marido dela, Marcelo Vieira, por associação criminosa, e a veterinária Tainara Harth, por maus-tratos e associação criminosa. Os dois já haviam sido indiciados também na primeira fase da operação. Um nome que ainda não havia vindo a público surgiu na conclusão do segundo inquérito: a policial civil Mari da Cunha Menezes, lotada no Cartório dos Animais da 15ª Delegacia de Polícia, que foi indiciada por violação de sigilo funcional. Ela teria realizado pesquisas de dados sigilosos para Paula e, ainda, auxiliado a retirar a guarda de animais com laudos falsos. A principal prova contra a policial civil é um áudio trocado com Paula Lopes. Na gravação, obtida a partir da extração de dados celulares na primeira fase da operação, Mari orienta como poderia ser produzido um exame laboratorial para justificar a retirada de um animal de seu tutor. "Tira o sangue de um bicho que tá mal, me leva para um laboratório e aí, com o nome dele, me apresenta esse exame lá. Não te disse isso, nunca", declarou Mari no áudio obtido pela polícia. Segundo a investigação, o objetivo seria retirar o animal do antigo responsável e, posteriormente, utilizar o caso para arrecadar recursos nas redes sociais. A proximidade entre Mari e Paula era pública e aparecia com frequência nas redes sociais. A ex-secretária era vista em ações policiais organizadas pela delegacia em que a policial era lotada. Além disso, a agente participou de um podcast de Paula após a conclusão da primeira fase da operação. A policial não foi afastada do cargo, apesar da conclusão das investigações. Forma de atuação A polícia afirma que Paula priorizava levar animais sem perspectiva de tratamento para procedimentos de eutanásia, utilizando a repercussão dos casos para arrecadar dinheiro em campanhas virtuais. Uma das principais provas apontadas no inquérito é a campanha de arrecadação feita após a morte de uma cadela, chamada Pedrita. Para a polícia, mensagens obtidas durante a investigação mostram que Paula forçava a realização de eutanásias para explorar a comoção gerada pelos casos. Outra evidência considerada decisiva foi a análise da movimentação financeira da investigada: "Ela fazia de ser protetora um meio de vida, lucrava com a comoção que o bicho causava. Em um período de seis meses, movimentou quase R$ 700 mil, com vaquinhas de cerca de 14 mil pessoas", afirmou a delegada. Atualmente, apenas Paula Lopes permanece presa preventivamente, na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba. A veterinária Tainara Harth obteve habeas corpus para tratamento de saúde. O veterinário Marcus Vinicius Jenisch, preso durante a primeira fase da operação, também conseguiu liberdade por meio de habeas corpus e não foi indiciado na conclusão das investigações. Veterinário não foi indiciado Apesar das prisões e buscas realizadas durante a investigação, os demais médicos-veterinários investigados não foram indiciados. De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, a investigação concluiu que não havia um núcleo organizado de outros veterinários atuando de forma conjunta com Paula Lopes. "Não ficou claramente comprovado que existia um núcleo de outros veterinários para a prática de crimes. Um profissional não sabia do outro. A Paula e o Marcelo usavam veterinários de maneira distinta, não era um grupo unido com união de esforços. Por isso, a associação não fica configurada." Ainda segundo a delegada, embora a investigação tenha reunido conversas em que Paula pressionava profissionais pela realização de eutanásias, cada veterinário apresentou elementos que justificaram tecnicamente sua atuação. A investigação segue agora para o Ministério Público, que decidirá se denuncia, pede mais investigações ou arquiva o caso. O g1 procurou as defesas dos investigados e aguarda manifestação. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/06/26/ex-secretaria-indiciada-investigacao-morte-animais-canoas.ghtml


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